Marcia Abumansur
 
 
 
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Marcia Abumansur Sou a terceira de quatro filhos. Pai e mãe libaneses. Cresci vendo o meu pai trazendo para casa as amostras de tecidos que fabricava. Cores, texturas e estampas tramavam o cotidiano familiar. Os presentes mais desejados eram os lápis de cores, os livros de colorir ou aquelas aquarelas que vinham em estojo de lata e pareciam pedras de sapólio colorido.

Aos 15 anos, fui fazer um curso de fotografia no clube. O fotógrafo professor era o Antônio Saggese que trouxe a noção de que na fotografia o mais importante era o exercício do olhar. Com essa idade o mundo era bem novo e olha-lo através das lentes foi o meu início de olhar tudo com olhos mais atentos. Tomei gosto e aos 18 anos quis seguir a profissão, mas roubaram a minha câmera e como esta é uma época de experimentações, comecei a escrever poesias... Já que escrever era o novo enfoque, fui fazer jornalismo. Enquanto isso, o escrever começou a virar dever e comecei a desenhar e pintar.

No último ano da faculdade, arrumei a mochila e decidi que ia para a Inglaterra. Na Europa fiquei quase dois anos viajando. A emoção de ver as obras originais de grandes artistas foi uma experiência importante. A alma diante de alguns impactos começa a ter algumas certezas. Quando voltei ao Brasil, fui ter aula no ateliê do Rubens Matuck. Foram três anos bem interessantes. Mais do que tudo, o artista Rubens incentivava seus alunos a desenharem bastante, a ter uma constância no trabalho e a procurarem o seu próprio caminho!

Deixei a área de jornalismo. A arte, a criação tomaram espaço e queria dividir este sentimento de prazer que o ato criativo traz com outras pessoas. Fui então fazer um curso de terapia artística. E a vida tomou novamente um outro rumo, com novos conhecimentos.

Isto aconteceu em 1986. Desde então me dedico também a esta área, na qual atuo também como professora.
Em 1992, frequentei por dois meses o ateliê de Kathrin Spring na Basiléia (Suíça). Foi a primeira vez que fiz uma imersão artística. Até essa época o suporte do trabalho era sempre o papel. Surgiram as primeiras telas e uma dimensão maior para o meu trabalho artístico. E a certeza de um caminho.

Pintar é olhar o presente, que vem acompanhado de todos os olhares anteriores, deixando uma brecha para o olhar que virá (o que não tem fim). È a vontade de alinhavar a totalidade.




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